• Nilto Tatto

ARTIGO: MEDALHA OLÍMPICA


Há 10 anos o Bolsa Atleta não tem reajustes. O programa criado em 2005, para que profissionais se dedicassem integralmente à prática esportiva, hoje paga menos do que o salário mínimo. Mesmo com o descaso do Estado, atletas nacionais vem fazendo bonito nas Olimpíadas do Japão, o que nos leva à uma pergunta óbvia: quantas outras Rayssas, Rebecas, ou Ítalos poderiam realizar seus sonhos, garantir uma boa renda e reconhecimento, se voltássemos a investir nos esportes?


A atleta Rebeca Andrade conquista medalha de ouro em Tóquio Foto: Ricardo Bufolin/ Panamerica Press/ CBG

A história de parte dos nossos atletas no Japão reflete um pouco do que é ser brasileiro nos dias de hoje, como no caso do potiguar filho de pescadores, Ítalo Ferreira, que se tornou o primeiro surfista medalhista de ouro em Olimpíadas, passando pela skatista Rayssa Leal, a brasileira mais jovem a se tornar medalhista olímpica, até a ginasta artística Rebeca Andrade, primeira mulher brasileira medalhista olímpica na modalidade.

São exemplos de superação e luta; de paixão no que fazem; de enfrentamento das adversidades, quase sempre sem estrutura adequada, recursos próprios ou investimentos públicos. Ítalo, por exemplo, aprendeu a surfar num pedaço de madeira; a fadinha Rayssa, começou a andar de skate aos 6 e com apenas 10 anos já ajudava a sustentar a família, enquanto Rebeca iniciou os treinos aos 4 anos, num projeto social da prefeitura da cidade de Guarulhos.

Cada uma dessas trajetórias merece o nosso mais profundo respeito, orgulho e admiração, assim como suas conquistas nos trazem a certeza da importância de lutar pela retomada dos projetos e programas de fomento ao esporte. Logo que assumiu a presidência, Bolsonaro transformou o Ministério do Esporte em Secretaria e já trocou o titular da pasta 3 vezes; vetou o auxílio emergencial para profissionais do esporte durante a pandemia e não reajustou o Bolsa Atleta.

Ou seja, as medalhas conquistadas por estas, estes e outras brasileiras e brasileiros incríveis, que nos enchem de orgulho, são mérito deles mesmos; de seus treinadores, clubes e equipes; do povo brasileiro, que sofre, torce, vibra e se emociona, mas não são deste que ocupa hoje a Presidência da República.