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  • Nilto Tatto

ARTIGO: NEGAR O FOGO NÃO APAGA INCÊNDIO



Na semana passada, enquanto a floresta ardia em chamas, a base do governo Bolsonaro tentava aprovar uma Emenda à Constituição (PEC 343/17) liberando metade dos territórios indígenas para ruralistas e garimpeiros. Como se sabe, os povos indígenas são os principais responsáveis pela proteção de nossas florestas, inclusive contra queimadas.


Nesta semana, a floresta segue ameaçada - tendo em vista o desmonte das ferramentas de fiscalização e controle, como o IBAMA, o ICMBio e o INPE, mas a oposição e a pressão de grupos indígenas em Brasília conseguiram barrar a PEC 343. Chama atenção em mais este triste episódio, que nem a devastação do nosso maior patrimônio socioambiental, transmitida ao vivo e a cores para o mundo inteiro, seja capaz de sensibilizar a extrema-direita, sedenta pelo lucro a qualquer custo.


Não poderia deixar de destacar a faceta embusteira de Jair Bolsonaro, que há tempos revelou-se um mentiroso contumaz, mas cuja aptidão para a falsidade agora ameaça nossa soberania ambiental. Mentiu ao dizer que incêndios na Amazônia sempre existiram, negando a dimensão atual da catástrofe; mentiu sobre os dados do INPE, que foram confirmados inclusive pela NASA e disse que está empenhado em combater o incêndio, mas estimula a perseguição aos fiscais de órgãos do próprio governo.


A lista segue com inverdades acerca de seu compromisso com os povos indígenas, que seguem sendo ameaçados; que está comprometido em preservar nossas reservas, tendo acabado com o mapa de áreas de conservação de biomas; fala de investimentos em ecoturismo mas planeja acabar com estações ecológicas e por fim, declara que está combatendo os incêndios, mas abriu mão de recursos do Fundo Amazônia, que eram utilizados inclusive para este fim.


É verdade que esta postura garantiu sua eleição, mas desde que assumiu a presidência da República, as declarações de Bolsonaro só atiçaram disputas e intrigas em todas áreas do governo. Se mentiras apagassem o fogo, em Brasília agora não seria possível sequer acender um cigarro.



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