• Nilto Tatto

O AGRO É COP?



Impacto do agronegócio na Amazônia. Foto: Greenpeace

Com todos indicadores apontando aumento do desmatamento, das queimadas e da violência no campo e nas florestas, o Brasil sofrerá uma enorme pressão na 26ª Conferência do Clima da ONU (COP26), que teve início no domingo (31). Estarão em Glasgow, na Escócia, os chefes de Estado de 196 nações de todos os continentes em busca de ações conjuntas e efetivas, para alcançar os objetivos de redução de emissão de gases de efeito estufa, definidos em 2015 no Acordo de Paris.

O Brasil, que foi o recordista na redução da emissão destes gases entre 2006 e 2012, chega a esta COP como um dos 5 países que mais agravaram as emergências climáticas – no ano passado, o mundo registrava queda de 6,7% nas emissões, e nós aumentamos 9,5%. Em 2021, o aumento foi de mais 6%. As atividades que mais contribuíram para este cenário foram o desmatamento e o agronegócio, práticas que estão absolutamente conectadas, já que boa parte da expansão territorial da agropecuária brasileira, é fruto do desmatamento e de queimadas ilegais.

Nesta conjuntura, a ausência do presidente Jair Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão, no encontro internacional, não surpreende. Ainda que o chefe da nação diminua publicamente a importância do evento, o Brasil terá o maior estande que o País já teve na Conferência e a segunda maior delegação, entre todos os participantes. A ideia não é apenas fazer uma disputa de narrativas, para tentar passar a imagem de que o Brasil está fazendo a sua parte, mas também promover o agronegócio brasileiro à qualquer custo.

Para se ter uma ideia, quem está organizando o estande brasileiro na COP é o Ministério da Agricultura, em parceria com a Frente Parlamentar da Agropecuária, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), hoje representantes institucionais das atividades mais degradantes ao meio ambiente e à vida. Além de fugir de suas responsabilidades com a conservação ambiental, Bolsonaro está tentando transformar a Conferência num balcão de negócios, colocando os maiores devastadores ambientais para barganhar com chefes de Estado.


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