• Nilto Tatto

VAI COMEÇAR A COP E EU ESTAREI LÁ


Sou ambientalista há mais de 30 anos e o parlamentar que participou do maior número de edições de Conferências do Clima da ONU. Sei que posso representar o meu País melhor do que muitos outros que estarão em Glasgow nas próximas semanas.




Na próxima segunda-feira (31/10) terá início a COP 26, Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas, em Glasgow, na Escócia. O encerramento está previsto para o dia 12 de novembro. A conferência é considerada crucial para controlar as mudanças climáticas, uma vez que é preciso um esforço conjunto para mitigar o aquecimento global causado pelo uso de combustíveis fósseis, pela emissão de gases de efeito estufa e pela ação humana em geral.

Apesar do meu nome não ter sido incluso na lista dos deputados que viajarão para Glasgow com recursos da Câmara, minha presença no evento está confirmada. Eu estarei lá! Sou o deputado em atividade com o maior número de participações nas Conferências do Clima da ONU – estive nos encontros de 2015 em Paris (França); 2016, em Marrakesh (Marrocos); 2017, em Bonn (Alemanha); 2018, em Katowice (Polônia) e 2019, em Madrid (Espanha). A edição de 2020 não foi realizada devido à pandemia. Será que alguém se incomodou com a defesa intransigente que faço das questões socioambientais, dos povos tradicionais e minha oposição absoluta ao governo bolsonaro?

Sou membro da Comissão de Meio Ambiente; da Comissão de Ciência e Tecnologia; das Frentes Parlamentares em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, de Apoio aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e da Frente Parlamentar Ambientalista. Além disso, tenho mais de 30 anos de ativismo socioambiental, tendo participado da ECO 92 (Rio de Janeiro); do Forum Alternativo Mundial da Água (2018) e do Forum Global Paralelo à Rio + 20 (Rio de Janeiro), entre outros. Ou seja, esta é uma pauta com a qual eu tenho muito para contribuir.


Fui um dos fundadores do ISA (Instituto Socioambeintal); atuei na capacitação administrativa para o Conselho Nacional dos Seringueiros, em Rio Branco (AC), na época liderado por Chico Mendes e para a União das Nações Indígenas em São Paulo e no Acre, coordenado por Ailton Krenak. Recebi o prêmio Dorothy Stang de direitos humanos pelo trabalho junto à comunidades quilombolas do Vale do Ribeira; participei de intercâmbio de povos tradicionais entre Brasil e África, entre os anos de 2010 e 2011 e do desenvolvimento do projeto de Manejo Floresta Sustentável, na Terra Indígena Xikrin do Cateté (PA).


Por isso tudo estarei em Glasgow para a COP 26, mesmo que a Câmara tenha optado por custear a viagem de outros parlamentares, muitos deles com pouquíssima ou nenhuma afinidade com os temas que serão tratados. Quero dizer que o Brasil não está fazendo a lição de casa e preciso estar lá para dizê-lo. Precisamos nos inspirar naquilo que fizemos de 2006 a 2012, quando o Brasil foi responsável pela maior redução de emissão de gases de efeito estufa da história. Nenhum outro País em nenhum outro momento fez tamanha redução. Com isso, ganhamos protagonismo internacional na época e pressionamos outros países a fazer o mesmo.


A nossa lição de casa é fazer aquilo que está em lei, aquilo que nos comprometemos a fazer, quando assinamos o acordo de Paris. Eu mesmo protocolei recentemente projetos relevantes para a conservação ambiental, como o PL 4531/2020, que estabelece a proibição de qualquer atividade de supressão de floresta Amazônica ou qualquer forma de vegetação nativa por 5 anos e confere status de lei ao PPCDAM (Plano de Ação para Preservação e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal).

Sei que o Brasil possui um arcabouço legal relevante na área ambiental, mas sei também que tudo o que foi construído para proteger o meio-ambiente e à vida, agora corre perigo. O Brasil não pode ser representado na COP, apenas por quem defende os interesses do agronegócio; da mineração; do garimpo e da extração ilegal de madeira. Estarei lá para garantir que outro Brasil, aquele que representa o conjunto da população brasileira, também tenha voz.

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