ARTIGO: Milei revela o modelo podre da extrema direita
- Nilto Tatto

- há 1 dia
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Javier Milei não veio ao Brasil para fortalecer a relação entre países vizinhos, mas para subir no palanque da extrema direita, a convite do pseudo-pré-candidato Flávio Bolsonaro. Além da convenção do PL, o presidente argentino cumpriu agenda com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de quem recebeu a Ordem do Ipiranga. Por que os bolsonaristas tratam a Argentina como modelo e atacam o Brasil quando os números apontam em outra direção?
As economias de Brasil e Argentina têm tamanhos e histórias diferentes, por isso qualquer comparação exige cautela, mas ainda assim os indicadores são reveladores. A inflação argentina, embora tenha recuado, chegou a 33,5% em 12 meses até junho. No Brasil, o IPCA-15 acumulado até meados de julho ficou em 4,52%. Não é uma diferença pequena. O desemprego argentino atingiu 7,8% no primeiro trimestre de 2026, enquanto o brasileiro caiu a 5,6% no trimestre encerrado em maio.
As reservas internacionais mostram outra diferença: cerca de US$ 369 bilhões no Brasil em junho, ante US$ 49 bilhões na Argentina em julho. Milei obteve pequenos avanços fiscais e a pobreza oficial parece dar sinais de recuo após disparar no começo do mandato, mas 28,2% dos argentinos ainda estavam abaixo da linha de pobreza no segundo semestre de 2025 - entre os menores de 14 anos, eram assustadores 41,3%. O desemprego aumentou e mais de 44% dos trabalhadores estão na informalidade.
O governo Lula combina inflação controlada, emprego elevado, reservas robustas, valorização do salário mínimo e políticas de renda e investimento, sem falar na política socioambiental, algo muito longe da gestão argentina. MAs não se enganem - também há desafios grandes por aqui, mas enfrentá-los não exige copiar um ajuste que desmonta serviços públicos, comprime salários e aposentadorias e favorece grandes grupos econômicos.
Ao incensar Milei e torcer contra o próprio País, a extrema direita que outrora se dizia patriota revela sua prioridade: não o Brasil ou seu povo, mas um projeto que protege a especulação, concentra riqueza e transforma direitos em mercadoria. A visita mostrou que Flávio Bolsonaro e Tarcísio preferem importar um radicalismo babaca do que defender desenvolvimento com emprego, soberania e justiça social.













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