Artigo: O MAIOR ATRASO
- Nilto Tatto

- há 10 horas
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Todas as conquistas no mundo do trabalho tiveram que enfrentar o mesmo coro do atraso, ressoando uma maldição que nunca se concretizou: “o País vai quebrar”. Foi assim quando as elites econômicas brasileiras tentaram resistir a abolição da escravidão, alegando que a economia entraria em colapso sem o trabalho forçado. Repetiram o discurso quando a jornada de 48 horas semanais foi reduzida para 44; quando surgiram as férias; o 13º salário; o descanso semanal remunerado e sempre que debatemos a valorização do salário mínimo.
Agora tentam reeditar o mesmo discurso empoeirado quando caminhamos para superar a desumana escala 6 x 1. Dizem que a produção vai cair, que os empregos vão desaparecer e que o Brasil não aguentaria o baque. Mas a história prova exatamente o contrário - Países que reduziram jornadas aumentaram produtividade, melhoraram a saúde da população e dinamizaram suas economias. Isso porque gente menos exausta trabalha melhor, consome mais, vive com dignidade e movimenta o mercado interno.
A defesa intransigente da escala 6 x 1 não é uma luta encampada por cidadãos preocupados com o Brasil — mas de uma minoria afeita à manutenção de privilégios. É a lógica de uma parcela das elites que sempre reagiu a qualquer direito trabalhista como se fosse o fim do mundo, mas nunca abriu mão de seus próprios benefícios. São os mesmos que naturalizam jornadas desumanas enquanto acumulam lucros recordes trabalhando pouco.
Não se trata apenas de organizar o calendário de trabalho, mas de escolher qual País queremos ser. Seremos um país que reproduz relações de trabalho baseadas na exaustão, próximas de uma lógica de servidão moderna, ou uma nação que entende que desenvolvimento de verdade só existe com justiça social? O Brasil não quebrou com o fim da escravidão; com a criação da CLT ou com a valorização do salário mínimo e também não vai quebrar ao garantir mais tempo de descanso e qualidade de vida para quem produz nossa riqueza.
O que precisa acabar é a mentalidade de que direitos são prejuízo e que privilégios são direitos. Prejuízo é manter milhões de brasileiros presos a uma rotina que adoece, esgota e rouba seu tempo de vida. Este é o maior atraso.













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