• Nilto Tatto

ARTIGO: TRIBUTAR O VENENO

Publicado originalmente em Gazeta de São Paulo em 25/08/2020


Com um falso discurso de combate à fome, em meados do século passado o mundo adotou um modelo de agricultura baseado na concentração de terras, na monocultura e no uso intensivo de agrotóxicos. Mais de 50 anos se passaram e a fome aumentou, o meio ambiente se degradou, os trabalhadores rurais perderam sua roça e os latifundiários demandam ainda mais terras. Ao contrário da propaganda na TV, o agro não é POP, mas uma parte dele tem sido a destruição e a morte.



O anúncio de uma possível prorrogação do uso do PARAQUAT, um dos agrotóxicos mais letais do mundo, reacendeu a discussão sobre o combate ao uso de venenos agrícolas no Brasil. Não bastassem os prejuízos coletivos causados por esta prática letal, a devastação da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal (muitas vezes para o cultivo de cana e soja), a cadeia do veneno ainda recebe incentivos governamentais, linhas de crédito e isenções tributárias, como uma forma do Estado promover seu uso.


Em poucas palavras, é política de Estado incentivar uma agricultura predatória, tóxica, que não gera empregos (devido à mecanização) e cada vez menos aceita no mercado internacional. Contabilizados os custos socioambientais e econômicos, veremos que o agro não sustenta o Brasil, mas é o Brasil quem carrega o agro nas costas. Será que a agricultura familiar, responsável por mais de 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa, não merece incentivos? Práticas e modelos que preservam nossos rios, nossas florestas, que garantem a permanência do trabalhador no campo e produzem alimentos saudáveis não deveriam, estes sim, ser promovidas pelo Estado?


Estas são algumas das contribuições que venho fazendo no debate sobre a Reforma Tributária, contemplando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; a transição ecológica; a soberania alimentar; o combate à fome e à pobreza. Uma reforma como esta é uma oportunidade de definir aonde queremos que nossos recursos sejam alocados, qual o modelo de sociedade e de Estado iremos construir. Ou será que o objetivo é reformar para manter tudo como está?


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