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Artigo: Uma linha foi cruzada – pior para o Brasil

  • Foto do escritor: Nilto Tatto
    Nilto Tatto
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura



Há uma linha que deveria separar as disputas políticas legítimas - as diferenças ideológicas e partidárias - da submissão de interesses nacionais a um País estrangeiro. Flávio Bolsonaro definitivamente cruzou essa linha. Sua atuação nos Estados Unidos tem sido marcada por flagrante antipatriotismo, numa conduta politicamente perigosa, mas moralmente indefensável: em vez de defender o Brasil, parece trabalhar pelos interesses de Washington.


Não se trata de divergência ideológica. O problema é um senador da República, pago pelo povo brasileiro e eleito para proteger a Constituição, atuar em favor de pressões externas contra o próprio País. Primeiro, vieram as movimentações dele e de outros bolsonaristas que embarcaram na ofensiva tarifária dos EUA contra produtos brasileiros, medida capaz não só de prejudicar trabalhadores e empresas como a própria  economia nacional.


Pouco tempo depois, Flávio e aliados buscaram apoio para que facções criminosas brasileiras fossem classificadas pelos EUA como organizações terroristas, decisão que pode abrir caminho para sanções, interferências e riscos à soberania. Agora, chega-se ao absurdo de oferecer a um governo estrangeiro uma “equipe de transição” caso seja eleito presidente. Isso não é diplomacia e nem burrice - é vassalagem. Sinceramente, pouco me importa se Flavio Bolsonaro é um sabujo, um capacho ou coisa que o valha, mas daí a tratar o Brasil como colônia já é demais.


Flavio Bolsonaro sinaliza que em um eventual governo, ele não prestaria contas de sua administração ao povo brasileiro, mas aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Há evidentemente diversas implicações jurídicas possíveis que precisam ser apuradas pelas instituições competentes: crimes como atentado à soberania nacional, tentativa de submeter decisões internas a poder estrangeiro, atuação parlamentar contra o interesse público e eventual quebra de decoro.


Mas, antes mesmo do debate penal, há uma questão moral incontornável: que compromisso com o Brasil poderia ter alguém que negocia o futuro nacional longe das vistas do povo brasileiro? A Presidência da República não pode ser tratada como balcão de favores internacionais. O Brasil precisa de lideranças que defendam sua indústria, seus empregos, sua democracia, sua soberania e seu povo. Lamentavelmente, Flávio Bolsonaro mostra o contrário: falta de ética, de patriotismo e de compromisso com a nação.

 

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