• Nilto Tatto

ARTIGO: CONTRA A IGNORÂNCIA, O PRECONCEITO E A GANÂNCIA

O deputado Nilto Tatto, ao lado de mulheres indígenas durante o ATL 2019

Uma pesquisa divulgada recentemente, mapeou e analisou a percepção dos brasileiros sobre os povos indígenas na última década. Segundo o estudo, além de possuir opiniões distintas, falta à população conhecimento sobre o tema. O levantamento aponta ainda que, entre a parcela da população que não se engaja nas questões indígenas, além da falta de conhecimento, há eventualmente antipatia e até rancor.

Isso se dá por diversos fatores, que passam pela tentativa secular de desumanização dos indígenas; pela falsa oposição entre progresso e conservação dos direitos desses povos e pela também falsa ideia de que para garantir direitos aos indígenas, os direitos de outros teriam que ser sacrificados. São narrativas mentirosas, mas simples, facilmente assimiláveis e claramente anti-indígenas. Muitos brasileiros não sabem por exemplo, que antes de Cabral, o País teve mais de 600 idiomas falados e que hoje, além do português, ainda há pelo menos 154 línguas ou dialetos indígenas em uso no território nacional. Há ainda quem desconheça, não acredite ou não se importe, que no Brasil ainda existam 115 povos isolados, ou seja, comunidades inteiras que vivem sem contato significativo com a sociedade em geral e que estão ameaçadas. Se no Brasil de 1500 a população estimada de indígenas girava em 3 milhões de indivíduos, em meados do século passado acreditava-se que o desaparecimento destes povos estava próximo. Felizmente, a partir da década de 1980, houve uma reversão da curva demográfica, potencializada inclusive pelo reconhecimento dos direitos destes povos na Constituição de 1988. Hoje, o Brasil abriga 305 povos indígenas, totalizando quase 900 mil indivíduos, vivendo em sua maioria no campo e nas florestas, mas também presentes nos centros urbanos. Com os desmontes na política ambiental brasileira e avanço de alguns setores da economia, estes povos e muitos dos seus direitos adquiridos voltaram a ser ameaçados. Sua diversidade sociocultural só permanece viva porque lutaram e continuam lutando, diariamente, por suas existências, contra a ignorância, o preconceito e a ganância.




93 visualizações0 comentário