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ARTIGO: DIA DA TERRA - QUE FUTURO QUEREMOS VIVER?

  • Foto do escritor: Nilto Tatto
    Nilto Tatto
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura


Em 22 de abril de 1970, cerca de 20 milhões de pessoas ocuparam as ruas em cidades dos Estados Unidos para denunciar a poluição e exigir mudanças. Era uma resposta direta a um modelo de desenvolvimento que tratava o planeta como fonte infinita de recursos e depósito de resíduos. O evento ficou conhecido como “Dia da Terra”. Mais de cinco décadas depois a data segue atual — mas talvez precise ser compreendida de um jeito menos óbvio.


Cuidar da Terra não é apenas sobre florestas distantes ou geleiras derretendo. É sobre o calor que sentimos mais intenso no ponto de ônibus, a conta de luz que pesa no fim do mês, a comida que chega mais cara à mesa, a água que falta ou vem de qualidade duvidosa. A crise ambiental não é um conceito abstrato - ela já atravessa o cotidiano e adivinhem só: tem consequências mais graves para as parcelas mais vulneráveis da população.


O Dia da Terra, então, não deve ser só um lembrete simbólico, mas um convite a reconectar causa e consequência. Quando o solo é degradado, o alimento encarece. Quando a floresta cai, o clima muda. Quando o rio adoece, a cidade sente. Tudo está interligado — inclusive nossas escolhas individuais e coletivas.


Mas há um ponto de virada possível. Ele começa quando conseguirmos fazer os setores mais atrasados da sociedade deixarem de enxergar o cuidado com o planeta como sacrifício e passarem a entendê-lo como necessidade vital, mas também como oportunidade. Produzir energia limpa pode gerar emprego; preservar a biodiversidade fortalece economias locais; investir em transporte público de qualidade melhora a vida nas cidades. Proteger a natureza é, também, proteger a nós mesmos.


O desafio é grande, mas o caminho existe. Ele passa por políticas públicas responsáveis, por escolhas de consumo mais conscientes e, sobretudo, por uma mudança de mentalidade: não somos donos da Terra, somos parte dela. Neste Dia da Terra, talvez a pergunta mais importante não seja “o que o planeta precisa?”, mas “que futuro queremos viver — e qual papel estamos dispostos a assumir para construí-lo?”.

 

 
 
 
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