• Nilto Tatto

ARTIGO: Pagando a conta da pandemia

Publicado originalmente na Gazeta de São Paulo em 26/05/2020







O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, onde a rotina de pessoas sem acesso à bens e serviços tão fundamentais quanto moradia, alimentação, saúde e educação contrasta com a vida luxuosa de quem passeia de helicóptero e paga para os filhos mensalidades escolares que ultrapassam 5 mil reais. Abismo social que se intensifica a cada crise e que para muitos se tornou uma questão de vida ou morte. Como corrigir injustiças tão latentes e criar condições de combater a pandemia, se não o fizemos até hoje?

No Brasil 1% da população detém 38% das riquezas, o que faz do País o segundo com a maior concentração de renda do planeta. Mais desigual do que o Brasil, só o Catar. Estes índices refletem diretamente nas possibilidades de cada cidadão enfrentar o Coronavírus. Até 2019, ocupávamos a triste posição de número 78 no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, mas como temos o pior presidente no combate à pandemia, a situação hoje já é pior.


Existem muitas causas para tamanha desigualdade: o racismo estrutural; a má distribuição de renda; a dificuldade de acesso aos serviços básicos e a má gestão de recursos públicos são apenas algumas delas. Por outro lado, também existem formas de enfrentá-la e garantir o mínimo para que todos possam ficar em casa com saúde, como no combate à fome; nos programas habitacionais e nas políticas de longo prazo voltadas à parcela mais pobre da população. Tais medidas exigem um Estado sólido, comprometido, com capacidade de aumentar o investimento público e garantir a transferência de renda.


Ainda assim estas medidas não seriam suficientes sem uma reparação da dívida histórica com a população negra, ou a retomada da demarcação de terras indígenas, garantindo os direitos de povos tradicionais espoliados até os dias de hoje. Soluções que passam ainda pela Reforma Agrária e finalmente pela taxação das grandes fortunas, para fazer o andar de cima finalmente começar a pagar a conta de seus privilégios, pautados até hoje na exploração do andar de baixo.

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