• Nilto Tatto

ARTIGO: QUEM ALIMENTA O BRASIL?


Dizem que o agronegócio, um dos poucos setores da economia brasileira que apresentaram lucratividade durante a pandemia, é o responsável por alimentar a população e combater a fome, não só no Brasil, mas no mundo. Neste cenário, o consumidor brasileiro deve estar se perguntando: se os negócios vão bem, porque os alimentos que compõe a cesta básica estão cada dia mais caros para o consumidor?




A resposta está longe de ser simples, mas podemos começar a procurá-la analisando o aumento na demanda mundial por produtos agrícolas e alimentícios, impulsionado pela crise do Coronavírus. A matemática é simples: com o dólar nas alturas (resultado da política econômica de Bolsonaro), quem produz em real ganha mais vendendo no mercado externo. Com isso os brasileiros veem os alimentos sumirem das prateleiras e os preços subirem rapidamente.


Além disso, boa parte da produção agropecuária no Brasil, que recebe isenções e financiamento do governo, não é de alimentos, mas insumos utilizados de base para a produção de ultraprocessados, ração e combustíveis, como a soja e a cana. Quem de fato produz os alimentos que chegam à mesa do brasileiro é a agricultura familiar; o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ou seja, os pequenos produtores, que ao contrário dos ruralistas, foram abandonados pelo Estado em plena pandemia.


Há meses venho fazendo a denúncia de que a falta de apoio aos pequenos produtores rurais causaria uma crise de abastecimento e uma alta nos preços dos alimentos que compõe a cesta básica. Nós, da oposição, elaboramos projetos de lei e propostas concretas para enfrentar uma crise anunciada, intensificando ainda mais a tragédia da pandemia, mas o presidente da República vetou quase a totalidade do Auxílio Emergencial à Agricultura Familiar (PL735/20).


Estamos trabalhando incansavelmente para a derrubada destes vetos, mas uma coisa precisa ficar clara: a responsabilidade pela alta dos preços e a escassez de alimentos não é dos donos de supermercados, mas de uma política econômica que deliberadamente virou as costas para o povo brasileiro em benefício de um grupo de latifundiários bolsonaristas.

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