• Nilto Tatto

ARTIGO: QUEM ALIMENTA O BRASIL


Foto: Tiago Giannichini

A cada ano, o agronegócio comemora recordes na produção de grãos, na criação de gado bovino, suíno e de aves. Festejado pelo mercado, o setor é considerado o responsável por boa parte do PIB brasileiro pelos detentores do capital, mas como explicar que, neste cenário de prosperidade de quem “alimenta o País”, a fome não para de crescer no Brasil? A resposta é mais simples do que se imagina.

Embora o Brasil seja um dos maiores produtores de grãos do mundo e este mercado esteja aquecido, mesmo em épocas de pandemia, quem produz 70% dos alimentos que chegam na nossa mesa são os agricultores familiares, que, ao contrário do seu primo rico, foram abandonados pelo governo em meio a uma crise sem precedentes. Ignorados pelo governo Bolsonaro, pequenos produtores rurais perdem suas terras e têm que deixar o campo em busca de oportunidades nos grandes centros.

A falta de investimentos no setor caminha lado a lado com o desmonte do Programa de Aquisição de Alimentos, por exemplo, acarretando numa baixa produção e alta nos preços, além é claro, de consequências nefastas para a economia das pequenas cidades do interior, antes movimentadas e prósperas, hoje abandonadas e empobrecidas. Nem o auxílio emergencial para os produtores rurais, determinado pelas leis Assis Carvalho I e II, pela qual lutamos tanto no Congresso, o governo quis pagar.

A escolha dos ministérios da Econômica e da Agricultura de Jair Bolsonaro, foi privilegiar o agronegócio expansionista e exportador, que concentra terras e recursos, destrói o meio-ambiente e contamina os alimentos, em detrimento de um modelo que acolhe o pequeno produtor, movimenta a economia local, preserva a natureza e produz alimentos saudáveis. O Brasil está pagando hoje o preço destas escolhas equivocadas, quando não criminosas.

É preciso mudar a forma que se faz política neste País, realizando uma Reforma Agrária equivalente às necessidades de quem trabalha a terra, olhando com carinho para quem preserva e recupera nossa sociobiodiversidade, entendendo que o dever do Estado é cuidar do seu povo e do seu País e não apenas garantir o lucro dos empresários que financiam suas campanhas.



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