• Nilto Tatto

ARTIGO: UMA PANDEMIA NO ESCURO

Publicado originalmente em Gazeta de São Paulo em 04/08/2020


Dados oficiais apontam que já chegamos na casa dos 100 mil óbitos por COVID-19 no Brasil. Segundo especialistas, o atraso nas notificações revela que este número seja de 1,5 a 2,5 vezes maior. Além disso, pesquisas realizadas por universidades brasileiras explicam que para cada morte por COVID confirmada no País, há pelo menos 10 outros casos não notificados. Estamos enfrentando no escuro uma tragédia sem precedentes.





Trabalhar com dados oficiais tem sido cada vez mais difícil. Basta ver por exemplo, como o governo Bolsonaro trata informações científicas, coletadas por satélites internacionais, sobre o desmatamento. A consequência mais óbvia desta postura, tanto para o Coronavírus como no desmatamento, é que a falta de transparência implica na ineficiência de políticas públicas para enfrentar tais problemas, quando elas existem.


Eu pergunto: o que Bolsonaro tem feito para que o Brasil atravesse esta pandemia? Como o presidente da República tem buscado salvar vidas, diminuir a taxa de letalidade ou a velocidade de transmissão do vírus até que haja uma vacina? Como tem preparado a economia do nosso País para suportar este momento de caos? Quais as possibilidades de geração de emprego e renda que estão sendo debatidas? Qual o cenário desenhado para o pós-pandemia?


Ninguém tem respostas a estas perguntas por um motivo simples: o governo Federal não tem demonstrado interesse de ajudar o País a atravessar a maior crise sanitária dos nossos tempos. Como também não tem interesse em combater o desmatamento; preservar a vida dos povos tradicionais; promover a Educação pública de qualidade; garantir direitos sociais; enfrentar as desigualdades ou lutar por mais qualidade de vida para o povo.


Você deve estar se perguntando como ele consegue se manter no cargo para o qual foi eleito se afronta diretamente toda a população. Ao contrário das perguntas anteriores, esta tem resposta: ele não afronta todos os brasileiros - existe uma pequena parcela cujos interesses são atendidos em seu governo. Eles são apenas 10% da população, mas concentram mais da metade das riquezas do País.

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