• Nilto Tatto

ARTIGO: COLÔNIA DE EXPLORAÇÃO




O projeto da direita, caricaturado em Paulo Guedes e Jair Bolsonaro, que conta com o suporte de muitos dos parlamentares de sua base, empresários e investidores de vários segmentos, é o que poderia haver de pior para o Brasil. É um retrocesso secular, pautado na ideia do País como uma grande colônia de exploração, cujos recursos são sugados até a última gota, em benefício de uma metrópole, hoje representada por especuladores, mineradoras, ruralistas e toda sorte de rapinagem.

O discurso predatório do neoliberalismo é a capa perfeita para romantizar a devastação, o genocídio, a contaminação e a morte causados pelas práticas criminosas dos sanguessugas de plantão. Se as leis trabalhistas, de proteção ambiental, de controle do fluxo de capitais ou os projetos de distribuição de renda representavam algum entrave para a expansão capitalista, logo são extintos ou deformados a ponto de não interferir mais no processo de concentração de recursos, cada vez mais intenso.

A legalização do garimpo; a liberação da mineração em terras indígenas; o avanço desenfreado da agropecuária sobre áreas de proteção, pautados nas queimadas, no desmatamento e na extração ilegal de madeira, bem como no uso intensivo de agrotóxicos, são o que há de mais notório no modelo de extrativismo predatório do atual governo. É claro que nós, ambientalistas e eu, enquanto parlamentar, seguimos resistindo, construindo alternativas e elaborando projetos para frear a devastação e recuperar aquilo que nos foi e continua sendo subtraído.

Além de relator da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA) apresentei recentemente diversos projetos de proteção ambiental, como o PL 4531/20, que prevê moratória de 5 anos para o desmatamento; o PL 5014/20, que proíbe o uso de terra agrícola desmatada ilegalmente e diversas medidas de proteção dos territórios indígenas, áreas de conservação e da soberania nacional. Essas medidas, no entanto, precisam de enorme engajamento social, como vimos na semana passada no Ato Pela Terra. Sem que o clamor da sociedade seja ouvido, os piratas continuarão a saquear a nação

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