ARTIGO: O planeta está com sede
- Nilto Tatto

- há 21 horas
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O alerta da ONU é claro e direto: entramos na era da “falência hídrica global”. Parece uma realidade distante, mas não é. Ela começa quando a água some da torneira; quando o preço dos alimentos dispara por causa da seca; quando a bandeira da conta de luz sobe porque falta água nos reservatórios das hidrelétricas. A crise da água já está no nosso cotidiano — e tende a se agravar.
Durante a Sessão Solene em homenagem ao Dia Mundial da Água na Câmara dos Deputados, chamei atenção para essa contradição: o Brasil concentra uma das maiores reservas de água doce do planeta, mas convive com uma desigualdade brutal no acesso ao recurso. Nas periferias das cidades, por exemplo, a água sempre chega de forma irregular. Em comunidades rurais e tradicionais, ela simplesmente não chega.
A crise não é apenas ambiental - é social, econômica e política. Onde falta água é porque falta política pública, falta cuidado. E onde a água se torna escassa, surgem conflitos — por terra, por território, por sobrevivência. Já vimos isso acontecer em diferentes regiões do mundo, e o Brasil não está imune.
As mudanças climáticas intensificam eventos extremos. O desmatamento, por exemplo, compromete os ciclos de chuva enquanto a poluição contamina rios e aquíferos e a ausência de políticas públicas agrava ainda mais o cenário. Não se trata de falta de água — trata-se de falta de gestão, de justiça e de prioridade.
Garantir água para todos é garantir vida, saúde, produção de alimentos e energia. É proteger o presente e o futuro. Isso exige investimento em saneamento básico, preservação das nascentes, recuperação de rios, combate ao desmatamento e, sobretudo, compromisso político com a equidade.
O planeta está com sede. E essa sede não será saciada com discursos vazios ou soluções superficiais. A água precisa estar no centro das decisões — como direito, não como privilégio. Porque, no fim das contas, cuidar da água é cuidar da própria existência.













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