Artigo: Paz nasce da esperança, não do medo
- Nilto Tatto

- há 2 dias
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Sempre que há desemprego, aumento significativo da inflação, cortes em programas sociais e de direitos trabalhistas, a criminalidade aumenta, fazendo ecoar os discursos de ódio. Parte das autoridades públicas e da população clamam por medidas repressivas e violentas, promovendo verdadeiros banhos de sangue, que por sua vez, aumentam a sensação de insegurança, num ciclo vicioso infinito.
Há décadas que o Brasil convive com um modelo que promete ordem mas entrega medo: operações cada vez mais letais, prisões em massa e pouco ou nenhum investimento em prevenção, investigação e inteligência. Estados como São Paulo insistem na lógica opressiva, sobretudo nas periferias, sem redução na criminalidade não diminui, com aumento da insegurança e as polícias figurando entre as que mais matam e mais morrem no mundo.
Combater o crime organizado é obrigação do Estado, mas não tratando trabalhadores, jovens (sobretudo negros), moradores de favelas ou de ocupações, como inimigos. Segurança de verdade exige investigação qualificada, integração policial, controle de fronteiras, perícia, tecnologia, inteligência financeira e presença do poder público nos territórios.
É nessa direção que o governo Lula vem avançando, sufocando financeiramente as facções; rastreando armas; combatendo o contrabando; investigando homicídios e integrando União, estados e municípios. Operações como a Carbono Oculto mostram que o crime organizado não está apenas na esquina: mas também em empresas, fundos de investimento, postos de combustível e relações corruptas com agentes públicos.
Enfrentar os chefões do crime organizado exige seguir o dinheiro, combater a corrupção — inclusive dentro das polícias — e romper a proteção política e econômica das facções. Ao mesmo tempo, não existe segurança sem responsabilização dos agentes do Estado que cometem violência contra cidadãos inocentes.
Quando o Estado mata injustamente, ele não pode se esconder atrás de uma farda, de um terno ou de uma toga. É imperativo que crimes cometidos por agentes do Estado também sejam investigados, que os responsáveis também sejam punidos e as famílias das vítimas recebam alguma reparação, como proponho no Projeto de Lei 6748/2016, de minha autoria.
Também é urgente rejeitar a política armamentista promovida por governos de extrema direita. Facilitar o acesso a armas não trouxe paz: apenas abasteceu o crime organizado e promoveu aumento na violência doméstica e nos feminicídios. Segurança não nasce do medo, mas de direitos, inteligência e justiça. O Brasil precisa proteger vidas e não promover uma guerra contra o próprio povo.













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