• Nilto Tatto

ARTIGO: PEDALA BOLSONARO

Despreocupado com o preço da gasolina e a crise no País, o presidente só quer saber de passear

Um colaborador do nosso mandato em São Paulo, utiliza a bicicleta como meio de transporte para se deslocar ao escritório, nas proximidades da Praça da República. A região é bem servida de transportes públicos, com corredores exclusivos de ônibus e duas importantes linhas do metrô, mas ele prefere pedalar. “Além de economizar o dinheiro da condução, aproveito para praticar uma atividade física e me exercitar um pouco”, diz. Com o aumento sistemático no preço dos combustíveis, cada vez mais pessoas estão optando pela bicicleta como meio de transporte nas pequenas, médias e grandes cidades brasileiras. Embora a economia na tarifa do transporte público possa garantir um extra no final do mês, mesmo quem trabalha de casa ou está desempregado, quem se desloca a pé ou de bicicleta, não está imune ao aumento dos combustíveis. Toda vez que sobe a gasolina, o diesel ou o etanol, todos produtos e serviços passam a sofrer uma pressão inflacionária, já que parte significativa da atividade industrial e do transporte de pessoas e cargas, dependem do uso desses combustíveis. Nesta semana, por exemplo, foi repassado para as bombas um novo aumento do diesel, que em muitos lugares do País passou a custar acima de R$8,00 o litro. Sofrem os caminhoneiros, especialmente os autônomos, que terão que arcar com os custos do transporte com recursos próprios, mas sofre também o conjunto da sociedade brasileira, cujo custo de vida aumenta por tabela. Saem ganhando apenas os acionistas da Petrobrás, com lucros crescentes, às custas da destruição do pouco que tínhamos de bem-estar social no País. Como de costume, o presidente da República tenta se isentar da responsabilidade, ainda que seja o próprio governo quem determina a política de preços da companhia e tem a prerrogativa de nomear não apenas o presidente, mas o próprio conselho da Petrobrás. Ou seja, se o combustível está caro, a culpa é do Bolsonaro. Se ele ao menos fizesse como o nosso colaborador e fosse trabalhar de bicicleta, economizaria um pouco do nosso dinheiro e se mostraria sensível à situação do País. Mas segue fazendo passeios de moto, de lancha e jet-ski, revelando a enorme distância entre um presidente e o povo que ele finge representar.


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